segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Comissão avança na cassação de Brisa Bracchi e expõe o clima político cada vez mais inflamado em Natal

 


A Comissão Especial Processante da Câmara Municipal de Natal aprovou, nesta segunda-feira (17), o parecer do relator Fúlvio Saulo (Solidariedade) que recomenda a cassação do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT). O relatório havia sido concluído na quinta-feira (13) e, como já era esperado, recebeu o endosso da presidente da comissão, vereadora Anne Lagartixa (Solidariedade). O único voto divergente foi o do vereador Daniel Valença (PT).

O processo nasceu em agosto, a partir de denúncia apresentada pelo vereador Matheus Faustino (União). Na peça, ele acusa Brisa de destinar R$ 18 mil de emendas impositivas para financiar um evento que teria celebrado a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o denunciante, o ato tinha “cunho político” e, por isso, violaria a legislação que rege o uso desse tipo de recurso público.

Mas o debate que deveria ser jurídico rapidamente ganhou contornos políticos – e dos mais acentuados.

A comissão tratou o caso como se a vereadora tivesse montado uma operação de ataque institucional, enquanto aliados de Brisa enxergam no processo um instrumento de perseguição política, embalado pelo acirramento ideológico que tomou conta da capital. A votação desta segunda apenas reforça essa percepção: base governista e oposição voltaram a se enfrentar de forma clara, deixando evidente que a disputa não é apenas sobre a legalidade da emenda, mas sobre projetos de poder.

O que também chama atenção é a velocidade com que o processo tramitou e a coesão da maioria da comissão em torno do relatório, contrastando com a defesa apresentada por Brisa, que insiste que o evento tinha caráter educativo e cultural, não eleitoral ou partidário.

Agora, o caso segue para o plenário, onde a Câmara terá a palavra final. O desfecho poderá revelar mais sobre o rumo da política natalense do que sobre o suposto ilícito em si. Afinal, quando a pauta deixa de ser a gestão das emendas e vira combustível para disputa ideológica, o risco é que a cassação se torne apenas mais um capítulo de uma guerra política que parece longe de acabar.