terça-feira, 16 de setembro de 2025

Lei proíbe celular em escolas, mas enfrenta resistência e falta de estrutura

 


A lei sancionada no início de 2025 que proíbe o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos em todas as etapas da educação básica enfrenta resistência de pais, alunos e gestores. A medida abre exceção apenas para fins pedagógicos, sob orientação dos professores.

Apesar de defender o projeto, o presidente Lula justificou a necessidade de controle lembrando que o uso desmedido dispersa os estudantes. No entanto, gestores apontam fragilidades. Para Fernando Francelino, diretor da Escola Estadual Winston Churchill (Natal), a regra é “inconcebível”, pois o celular já integra a vida social dos jovens. Ele lembra ainda que a ausência de infraestrutura adequada inviabiliza a execução da norma.

Entre os problemas estão a falta de locais seguros para guardar os aparelhos e a sobrecarga sobre professores, que acabam responsabilizados pelo cumprimento da lei. A situação se agrava em escolas de tempo integral, onde os estudantes passam longos períodos e utilizam o celular também nos intervalos.

Francelino reconhece que o telefone pode ser um grande dispersor, mas cobra garantias práticas para o controle. “É infrutífero discutir aprendizagem sem considerar a ferramenta que faz parte do cotidiano dos alunos”, avalia.

O debate revela um dilema: enquanto o celular é visto como ameaça à concentração em sala de aula, também é entendido como recurso indispensável de comunicação e interação social.