A lei sancionada no início de 2025 que
proíbe o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos em todas as etapas da
educação básica enfrenta resistência de pais, alunos e gestores. A medida abre
exceção apenas para fins pedagógicos, sob orientação dos professores.
Apesar de defender o projeto, o
presidente Lula justificou a necessidade de controle lembrando que o uso
desmedido dispersa os estudantes. No entanto, gestores apontam fragilidades.
Para Fernando Francelino, diretor da Escola Estadual Winston Churchill (Natal),
a regra é “inconcebível”, pois o celular já integra a vida social dos jovens.
Ele lembra ainda que a ausência de infraestrutura adequada inviabiliza a
execução da norma.
Entre os problemas estão a falta de
locais seguros para guardar os aparelhos e a sobrecarga sobre professores, que
acabam responsabilizados pelo cumprimento da lei. A situação se agrava em
escolas de tempo integral, onde os estudantes passam longos períodos e utilizam
o celular também nos intervalos.
Francelino reconhece que o telefone
pode ser um grande dispersor, mas cobra garantias práticas para o controle. “É
infrutífero discutir aprendizagem sem considerar a ferramenta que faz parte do
cotidiano dos alunos”, avalia.
O debate revela um dilema: enquanto o
celular é visto como ameaça à concentração em sala de aula, também é entendido
como recurso indispensável de comunicação e interação social.


