terça-feira, 30 de setembro de 2025

Fim de uma era: saída da empresa CABRAL do Alecrim mexe com memória e tradição de milhares de macauenses que dependem do transporte

 


Após ouvir reclamações de muitos passageiros macauenses e da região salineira que usam o transporte CABRAL de maneira recorrente para a capital potiguar, por não compreenderem a motivação da mudança do prédio da empresa no bairro do Alecrim – logo busquei explicações com um dos proprietários da empresa, Cabral Filho.

Na oportunidade, Cabral explicou suas motivações, deixando claro que se trata de “contenções de despesas da empresa, já que o IPTU do bairro do Alecrim é muito alto em relação ao novo local alugado que fica na Mor Gouveia”.

Os passageiros, no entanto, não aceitam facilmente essa justificativa. Muitos utilizam o transporte CABRAL há mais de 50 anos e questionam a decisão. “Como se deixa um local que é seu, para utilizar outro que será alugado? Que contenções de despesas são estas?...”, observa dona Francisca de Moura, filha de Macau, que sempre utilizou o serviço para visitar filhos e netos na capital potiguar.

Cabral também tocou num ponto conhecido nos bastidores: a questão jurídica do espólio de seu pai, Chico Cabral (in memoriam). Segundo ele, “a mudança ocorre também por questões jurídicas, já que pretendemos resolver a questão do espólio, que precisa chegar a todos os herdeiros. Mas temos avisado os nossos passageiros há várias semanas sobre essa mudança”.

A decisão, no entanto, não se limita apenas a questões administrativas. O impacto histórico é inevitável: trata-se de uma ruptura com a tradição de décadas, em que o prédio do Alecrim servia não só como ponto de partida para os passageiros do interior, mas também como símbolo do legado do patriarca Chico Cabral. Uma garagem de fácil acesso, com estrutura consolidada, que se transformou em referência logística para milhares de famílias salineiras.

Como se pode perceber nas entrelinhas, explicações existem, mas ainda não convencem. Para muitos passageiros, a mudança representa mais do que uma troca de endereço: é um duro golpe na memória e na identidade histórica de uma empresa que carrega no próprio nome a marca de sua origem e de seu fundador.