terça-feira, 19 de agosto de 2025

Rio Grande do Norte perde 137 farmácias do programa Farmácia Popular; população sente impacto das medidas

 


O Ministério da Saúde anunciou o descredenciamento de 9.180 farmácias em todo o Brasil após retomar a obrigatoriedade da renovação anual do credenciamento, suspensa desde 2018. No Rio Grande do Norte, 137 unidades saíram do programa, e só em Natal foram 71. O que parece uma medida administrativa, na prática, significa um corte direto no acesso da população aos medicamentos gratuitos.

É evidente que regras precisam existir: presença de farmacêutico, prescrição médica adequada, conferência de documentação do paciente. O problema é que, muitas vezes, o peso da burocracia recai sobre a ponta errada: o cidadão. Quando o governo retira dezenas de farmácias de um programa que atende milhares de pessoas, não é apenas uma planilha que fica desatualizada — é o tratamento interrompido, o remédio que falta na hora certa, o idoso que precisa rodar mais quilômetros para conseguir uma fralda geriátrica.

O farmacêutico Cesimar Lourenço, de Natal, foi direto ao ponto:

“A Farmácia Popular funciona como complemento ao atendimento das Unidades Básicas de Saúde. Como muitas UBS não têm todos os remédios, ela faz esse papel secundário, facilitando o acesso da população.”

A fala expõe uma contradição que deveria incomodar: se o próprio sistema público não consegue dar conta de fornecer medicamentos básicos, por que diminuir a rede que ajuda a suprir essa falha? Em vez de reforçar e ampliar o alcance, estamos vendo um enxugamento que atinge exatamente os mais vulneráveis.

O programa atende a doenças como hipertensão, diabetes, asma, colesterol alto, Parkinson e glaucoma, além de fornecer anticoncepcionais, fraldas geriátricas e absorventes higiênicos para mulheres em situação de vulnerabilidade. Ou seja, não se trata de um benefício secundário, mas de algo essencial para a saúde pública e para a dignidade humana.

Mais do que números frios de credenciamento e CNPJs baixados, o que se perdeu nessa decisão foram postos de apoio para a vida real das pessoas. É aí que fica a pergunta que precisa ser feita: o governo está preocupado em fortalecer o acesso da população ou apenas em ajustar a burocracia?