quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Audiência na ALRN discute medidas de apoio à Agricultura Familiar

 


A Assembleia Legislativa reuniu, na tarde desta quarta-feira (20), trabalhadores rurais, entidades representativas da categoria e representantes de órgãos públicos para discutir o “Cenário da Agricultura Familiar no RN”. Proposta pelo deputado Francisco do PT, a audiência pública fez parte da programação da 22ª edição do movimento “Grito da Terra RN”. 

“Esse movimento traduz as demandas dos agricultores familiares, sendo articulado e promovido pela FETARN - entidade filiada à CONTAG e à CUT/RN - que representa os 163 sindicatos de base”, iniciou. 

Segundo o parlamentar, “Grito da Terra é uma manifestação estratégica do movimento sindical dos trabalhadores rurais, com foco na valorização da Agricultura Familiar como pilar fundamental da produção de alimentos saudáveis, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e dinamização da economia local e regional”, disse, acrescentando que a ação articula proposições políticas que visam o fortalecimento de um modelo de desenvolvimento rural sustentável e solidário. 

Ainda de acordo com o deputado, a pauta de 2025 reforça os compromissos já expressos na plataforma da Agricultura Familiar, atualizada com a realidade socioambiental e econômica do Estado, fortemente impactada pela estiagem prolongada. 

“Entre as propostas a serem discutidas hoje estão o enfrentamento emergencial da seca e as ações estruturantes para a garantia do desenvolvimento, através do reordenamento agrário, da economia solidária, do cooperativismo, do assessoramento técnico de políticas para mulheres, juventude e terceira idade rural, além do controle das políticas públicas implementadas”, detalhou Francisco do PT.

Em seguida, o presidente da FETARN (Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Rio Grande do Norte), Erivam do Carmo, começou o seu pronunciamento reforçando que a pauta do “22º Grito da Terra RN” é um resumo da plataforma da Agricultura Familiar, onde estão todos os anseios do pessoal do campo.

“Nós sabemos que o Estado passa por uma grande dificuldade, atualmente, que são as secas prolongadas. Isso tem impactado fortemente as pessoas do campo e a economia como um todo. E nós já solicitamos - há seis meses - uma audiência pública com o Governo do Estado, e não obtivemos retorno. Nós precisamos que a voz do campo seja ouvida. Precisamos das medidas emergenciais. E precisamos que os movimentos sociais estejam inseridos no Comitê de Estiagem, a fim de que possamos contribuir com as políticas específicas”, relatou, citando a importância das perfurações de poços, das tecnologias sociais e das cisternas.

Conforme o presidente da FETARN, a seca está acontecendo agora e, se não houver o cuidado necessário por parte do Poder Público, muitas cidades correm o risco de colapsar. 

“Já são mais de 80 municípios atingidos. E nós estamos apreensivos sobre o que pode acontecer, se não tivermos as nossas medidas atendidas o mais rápido possível. Por isso nós queremos uma audiência com o governo estadual. E não dá mais para a gente colocar a nossa pauta e ouvir que ela não cabe no orçamento. Porque, por exemplo, o governo fez uma renúncia fiscal em determinada cidade, para o setor das energias, no valor de R$ 256 milhões. Bem menos que isso já dava para atender - muito bem - as nossas reivindicações”, argumentou.