Mais uma daquelas medidas que fazem a
gente coçar a cabeça e perguntar: isso é progresso ou empurroterapia
oficializada?
A Secretaria Estadual de Educação do
Rio Grande do Norte (Seec) publicou uma portaria que permite que alunos do 1º e
2º ano do ensino médio sejam aprovados mesmo reprovando em até seis
disciplinas. Sim, você não leu errado: quase metade das matérias. No
ensino fundamental, o estudante pode passar de ano mesmo com três disciplinas
reprovadas.
A justificativa do governo?
Reduzir evasão e dar chance de
recuperação por meio do chamado Regime de Aprovação em Progressão Parcial
(RAPP). Na teoria, bonito. Na prática, parece mais uma tentativa
desesperada de maquiar os números da educação e fingir que o sistema está
funcionando.
Vamos ser sinceros: qual
conhecimento básico um aluno leva pra vida se ele sai do ensino médio com
mais dependência do que aprendizado real?
A escola tem que acolher, sim.
Mas não pode virar um jogo de faz de
conta, onde o aluno “passa de fase” sem entender as regras do jogo. A
educação não pode ser tratada como estatística eleitoral nem como número bonito
pra propaganda institucional.
E o professor, que já é sobrecarregado
e mal remunerado, vai dar conta de ensinar uma turma inteira e ainda acompanhar
meia dúzia de alunos em dependência? Será que a escola pública está equipada
para dar esse suporte que a portaria promete?
Como educador por formação digo:
O governo joga no colo dos educadores
uma bomba travestida de “avanço”. Mas a verdade é que, sem reforço escolar
sério, estrutura adequada e valorização do professor, esse modelo vai virar só
mais um capítulo do grande faz de conta que virou o ensino público.
Educação se faz com seriedade, e não
com caneta de gabinete.


