O episódio registrado na Prefeitura de
Natal expõe mais do que um simples desencontro entre manifestantes e a Guarda
Municipal — revela o afastamento crescente entre gestores públicos e as
demandas reais das comunidades que deveriam ser prioridade. Quando movimentos
como o Olga Benario e o MLB precisam recorrer à pressão direta para serem
ouvidos, fica evidente que algo está fora do lugar na lógica administrativa.
As reivindicações apresentadas —
ampliação de creches, criação de casas de acolhimento para mulheres vítimas de
violência e políticas de moradia digna — não são favores, mas obrigações
básicas de qualquer gestão comprometida com proteção social. Ainda assim,
seguem sendo tratadas por muitos governos como pautas periféricas, empurradas
para depois, discutidas apenas quando a população ocupa as portas do poder.
O tumulto desta terça-feira deveria
servir de alerta para gestores deste rincão brasileiro: a ausência de diálogo
não apaga problemas, apenas os transforma em crises. Ignorar movimentos
sociais, criminalizar a mobilização e evitar o debate é uma forma de
administrar que insiste em sobreviver, mas não cabe mais em uma sociedade que
exige transparência, escuta e responsabilidade.
Se prefeitos e secretários querem
evitar cenas como as vistas em Natal, o caminho é simples: abrir as portas para
o diálogo, reconhecer a legitimidade das pautas populares e tratar políticas
sociais como investimento, não como peso. Porque, no fim, a verdadeira desordem
não está no protesto — está na omissão.
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