quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Tumulto marca protesto na Prefeitura de Natal: movimentos sociais cobram prefeito Paulinho Freire por ações urgentes em moradia, acolhimento a mulheres vítimas de violência e ampliação de creches

 


O episódio registrado na Prefeitura de Natal expõe mais do que um simples desencontro entre manifestantes e a Guarda Municipal — revela o afastamento crescente entre gestores públicos e as demandas reais das comunidades que deveriam ser prioridade. Quando movimentos como o Olga Benario e o MLB precisam recorrer à pressão direta para serem ouvidos, fica evidente que algo está fora do lugar na lógica administrativa.

As reivindicações apresentadas — ampliação de creches, criação de casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência e políticas de moradia digna — não são favores, mas obrigações básicas de qualquer gestão comprometida com proteção social. Ainda assim, seguem sendo tratadas por muitos governos como pautas periféricas, empurradas para depois, discutidas apenas quando a população ocupa as portas do poder.

O tumulto desta terça-feira deveria servir de alerta para gestores deste rincão brasileiro: a ausência de diálogo não apaga problemas, apenas os transforma em crises. Ignorar movimentos sociais, criminalizar a mobilização e evitar o debate é uma forma de administrar que insiste em sobreviver, mas não cabe mais em uma sociedade que exige transparência, escuta e responsabilidade.

Se prefeitos e secretários querem evitar cenas como as vistas em Natal, o caminho é simples: abrir as portas para o diálogo, reconhecer a legitimidade das pautas populares e tratar políticas sociais como investimento, não como peso. Porque, no fim, a verdadeira desordem não está no protesto — está na omissão.

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