sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Cosern surpreende consumidores e dobra contas de energia solar no RN — e a pergunta que ninguém respondeu é: por quê agora?

 


A Neoenergia Cosern provocou um verdadeiro susto em consumidores que geram energia solar no Rio Grande do Norte. Na fatura de novembro, muitos perceberam que o valor dobrou ou até triplicou, após a inclusão de novas cobranças de tarifa de distribuição e ICMS — tudo sem aviso prévio claro, sem transição e sem qualquer explicação antecipada para quem depende da previsibilidade no bolso.

A concessionária afirma que está apenas cumprindo o que determina a Lei Federal 14.300/2022, que criou o Marco Legal da Micro e Minigeração Distribuída, somada à antiga Lei Estadual 6.968/1996, que trata do ICMS. Até aí, está dentro da lei. Mas o problema não é a legislação — é a ausência de comunicação.

A pergunta que Cosern não responde

A lei que a empresa usa como justificativa existe há quase quatro anos.
A regulamentação existe.
A obrigação de detalhar as cobranças também.

Então surge a pergunta inevitável: Por que a Cosern só agora decidiu aplicar essas tarifas? E por que fez isso de forma súbita, sem esclarecer previamente os consumidores afetados?

Nem a companhia, em sua nota oficial, nem a Secretaria Estadual de Fazenda trouxeram qualquer explicação plausível sobre o motivo do “atraso” na aplicação da regra. A Sefaz foi direta: não houve aumento de imposto, apenas uma adequação da Cosern. Mas adequação atrasada, repentina e silenciosa também gera impacto — e dos grandes.

Quando falta transparência, sobra desconfiança

É importante dizer: a cobrança tem respaldo legal.
O erro da Cosern não foi cumprir a lei — foi cumprir tarde e mal comunicado.

O Código de Defesa do Consumidor é claro: mudanças que geram aumento de custo ao cliente devem ser informadas com antecedência, de forma clara e ostensiva.

Nesse caso, a avaliação de muitos consumidores é simples: a informação não veio.

E quando um serviço público essencial, operado por uma concessionária, falha no básico — transparência — o prejuízo não é apenas financeiro: é de confiança.

Enquanto isso, o consumidor paga a conta

A nova cobrança afeta justamente quem instalou sistema fotovoltaico a partir de 7 de janeiro de 2023, grupo que perdeu o benefício integral da compensação de energia. Esse público já sabia que pagaria parte do uso da rede; o que não sabia era que seria surpreendido em novembro de 2025 com uma cobrança que deveria ter sido esclarecida antes de entrar em vigor.

A falta de explicação oficial só reforça a sensação de que o consumidor virou espectador de uma decisão tomada em gabinete, longe da vida real de quem investiu pesado para gerar a própria energia acreditando em previsibilidade mínima.

Conclusão

Sim, a cobrança tem base legal.
Não, a Cosern não está errada em cumprir a lei.
Mas está errada em cumprir tardiamente, sem aviso e sem diálogo.

Quando a transparência falha, a empresa pode até estar amparada juridicamente — mas perde no que mais importa: o respeito do consumidor.