quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Em Pendências, o velho recado da política: se não é aliado, vira adversário

 


A política provinciana do interior do Rio Grande do Norte ainda parece sobreviver sob uma lógica antiga: quem está no mesmo lado é aliado; quem se distancia, rapidamente passa a ser tratado como adversário.

É dentro desse contexto que mais uma movimentação política chama atenção nos bastidores da Câmara Municipal de Pendências.

A discussão da vez envolve os vereadores Welliedna Figueiredo e Nanam Olégario, que teriam acumulado ausências em sessões legislativas. Diante da situação e das regras previstas no Regimento Interno da Casa, já existe um procedimento em andamento que poderá, em tese, resultar até na perda dos mandatos, caso sejam confirmadas as condições regimentais e legais para tal medida.

Os dois parlamentares foram notificados para apresentar suas respectivas defesas. A partir daí, caberá à Mesa Diretora analisar os argumentos apresentados e seguir os trâmites estabelecidos para tomar uma decisão.

O que chama atenção?

Mais do que a questão administrativa, o episódio ganha contornos políticos porque acontece em um ambiente onde as relações entre os grupos parecem cada vez mais marcadas pela velha lógica do “nós contra eles”.

E é justamente aí que surge a pergunta que circula nos bastidores:

Estamos diante apenas do cumprimento das regras da Câmara ou existe também um componente político nessa movimentação?

É importante separar as coisas. Se houve descumprimento das normas, o Regimento Interno deve ser cumprido, independentemente de quem seja o vereador. Da mesma forma, se os parlamentares apresentarem justificativas capazes de afastar qualquer irregularidade, elas precisam ser consideradas dentro do devido processo.

O problema começa quando as regras de uma Casa Legislativa passam a ser interpretadas conforme a conveniência dos grupos políticos.

O recado nas entrelinhas

Na política interiorana, muitas vezes o discurso oficial fala em regimento, legalidade e funcionamento institucional. Mas, nos bastidores, a leitura política costuma ser outra.

E o velho recado continua ecoando:

“Se não for nosso aliado, será nosso inimigo.”

Agora, caberá à Câmara de Pendências demonstrar que, nesse caso, não existe lado político: existe apenas o cumprimento das regras, com direito à defesa e respeito ao mandato conferido pelo eleitor.

Porque, no final das contas, mandato de vereador não pertence à Mesa Diretora, nem ao grupo político de ocasião.

Pertence ao eleitor.