1 de outubro de 2018

Oligarquias Alves e Maia podem chegar aos 80 anos no poder caso Zenaide e Garibaldi sejam senadores

Postado por Irineu Cândido

Fruto da dissertação de mestrado do cientista político Robson Carvalho, o livro “Família e Política no RN: Alves, Maia e o Suporte no Senado”, lançado há uma semana, repercute nos meios políticos. A obra narra em detalhes como, há mais de setenta anos, dois grupos familiares, os Alves e os Maia, têm ocupado, continuamente, importantes espaços de poder no Rio Grande do Norte. O tema é atual porque há dois candidatos ao Senado nesta eleição, Garibaldi Alves e Zenaide Maia, disputando o Senado.
De acordo com o autor do livro, nem mesmo nos períodos da Colônia, Império, ou em fases anteriores da República, nenhum outro grupo político foi tão longevo como os Alves e Maia. De uma forma subliminar, a obra traz uma reflexão atual, pois caso os Alves e os Maia se elejam de novo para o Senado Federal, através de Garibaldi e Zenaide, as duas oligarquias podem prorrogar a estadia no poder de 70 para quase 80 anos, visto que o mandato de Senador será de 8 anos. Além de Garibaldi e Zenaide, as famílias também possuem candidaturas múltiplas como João Maia (irmão de Zenaide), Mada Maia (filha de Zenaide), Carlos Eduardo (primo de Garibaldi), Felipe Alves (sobrinho de Garibaldi).
“Quem são essas famílias? O que fazem para se manter no poder há mais de sete décadas? Como "chegaram lá"? O que acontece com os que exercem o poder sem sobrenome "Alves" ou "Maia"?”. Todas estas são perguntas respondidas de uma forma magistral pelo livro de Robson Carvalho. “À luz do realismo de Maquiavel, esse livro desnuda suas origens históricas, bases de formação e estratégias escolhidas e analisa os principais meios e os diversos instrumentos utilizados por essas famílias para permanecerem no poder ao longo do tempo, destacando dois deles: emendas parlamentares e financiamento de campanhas eleitorais”, destaca o autor da obra.

Robson Carvalho narra ainda que estes grupos deixaram herdeiros de antigas práticas como patrimonialismo, nepotismo e assistencialismo, com o diferencial de terem se especializado na luta exitosa por espaços de poder.  “A sustentação política dos grupos familiares, explica Robson, se dá por meio das “suas” bases e instrumentos disponíveis, que se alimentam do controle de partidos, verbas de campanha eleitoral pública e privada e da distribuição de emendas parlamentares. Além disso, destacamos os cargos políticos municipais, estaduais e federais que ocupam ou nomeiam”, conclui.

Ana Alice - 84 3214 0708

(Estudante de Jornalismo)